Após 45 anos de ministério, o Pastor Antonio Cuchata reflete sobre a noite em que as cheias de 2000 em Moçambique testaram sua fé, separaram sua família e os levaram a buscar abrigo em uma árvore de Marula por quatro dias.
A chuva começou após o Sabbath. No início, era suave. Familiar. O tipo de chuva que sussurra promessas de colheita e renovação. Mas então, mudou.
Era fevereiro de 2000 em Chokwe, uma cidade movimentada na província de Gaza, onde o Pastor Antonio Cuchata descansava com sua família após um belo serviço de Sabbath, sem saber que os céus estavam prestes a se abrir em uma fúria catastrófica. No meio da noite, as águas da inundação vieram sem misericórdia, engolindo casas, arrancando vidas, transformando a província de Gaza em um deserto aquático.
Vinte e quatro anos depois, o Pastor Cuchata ainda ouve. Esse som. A chuva batendo em seus corpos enquanto corriam em direção a um terreno mais alto. O rugido implacável e trovejante da água que se recusava a parar, se recusava a mostrar misericórdia, se recusava a discriminar entre os fiéis e os descrentes.
“Acordei minha família e começamos a correr, deixando tudo para trás”, ele diz.
Mas na confusão daquela fuga desesperada pela escuridão, seu filho de nove anos desapareceu. Foi-se. Engolido pela noite, pela confusão, pela pressão dos corpos em pânico todos se apressando em direção à salvação.
Não havia tempo para parar. Não havia tempo para uma missão de busca e resgate. A água estava subindo. A morte estava
perseguindo. E o Pastor Cuchata tinha quatro outros filhos que precisavam que ele continuasse em movimento.
“Acreditei que o encontraríamos”, ele diz em voz baixa. Fé, quando não havia mais nada.
Quando a manhã rompeu no segundo dia, exaustos e ainda correndo, viram outro grupo fugindo em direção a um terreno mais alto. E lá, naquela multidão de estranhos, estava seu filho.
“Foi um milagre de Deus que o encontramos.”
O reencontro foi breve. A jornada continuou, 15 quilômetros através de águas crescentes, cada passo uma oração, cada respiração um desafio ao desespero. Exaustos e desesperados, no quarto dia, a salvação chegou na forma de uma enorme árvore de Marula, seus grossos galhos se estendendo para o céu como braços de refúgio.
Lá, a família de sete desabou. Por quatro dias, aquela árvore se tornou seu lar, sua fortaleza, seu altar. “Minhas habilidades de desbravador entraram em ação”, Cuchata recorda. “Usei os galhos e partes de nossas roupas para fazer uma corda para ajudar a puxar as crianças para cima.”
Quatro dias. Sem comida. Sem água limpa. Apenas as turvas águas da inundação abaixo para impedi-los de morrer de sede. A família se agarrou àqueles galhos, corpos fracos, espíritos testados, fé esticada até seu ponto de ruptura.
Então, no quinto dia, como se sua provação não tivesse sido suficientemente angustiante, cinco cobras emergiram da água. Elas nadaram firmemente em direção à árvore, seus corpos cortando a corrente marrom com um propósito mortal. Uma a uma, começaram a escalar.
“Oramos para que as cobras não viessem até nós”, diz Cuchata, rindo da memória agora, embora o medo deva ter sido paralisante naquela época. E as cobras, milagrosamente, desviaram para um galho diferente, acomodando-se ali como se uma mão invisível as tivesse redirecionado.
Mais um dia passou. Finalmente, a água diminuiu.
A família desceu de seu refúgio e caminhou de volta em direção ao que havia sido seu lar. Ele havia desaparecido. Completamente levado pela água. Tudo o que haviam construído, tudo o que possuíam, foi apagado.
Não havia nada para retornar. Então, começaram a caminhar novamente. Mais 20 quilômetros em busca de abrigo, seus corpos esgotados, seus pés bolhas e feridos. Ao longo do caminho, encontraram outro pastor que os havia procurado. Ele os levou a um centro de deslocamento em Biline, onde viveriam pelos próximos três anos.
“Muitas pessoas morreram”, diz Cuchata solenemente. “Mas Jesus nos salvou.”
Refletindo sobre os eventos de 2000, o Pastor Cuchata traça uma conexão com uma das histórias mais duradouras da Bíblia. “A distância que caminhei, as provações que enfrentei, me fizeram pensar em Noé e no dilúvio”, diz ele. “Aquela árvore foi providenciada por Deus. Ela era firme, e não temíamos nada.”
As inundações testaram tudo o que ele acreditava. Sua fé. Sua força. Seu chamado. Mas, através de tudo isso, ele viu a mão de Deus na árvore que os sustentou, no filho que foi encontrado, nas cobras que se desviaram, na sobrevivência de sua família quando tantas outras pereceram.
O Pastor Cuchata se aposentou em janeiro de 2025 após 45 anos de ministério significativo. As inundações de 2000 permanecem um dos momentos mais definidores de sua vida, um verdadeiro teste de fé e resistência. Mas, ao olhar para trás, ele vê não apenas tragédia, mas testemunho.
Deus estava na tempestade. E Deus os trouxe através dela. Hoje, quando as chuvas vêm a Moçambique, o Pastor Cuchata não as teme mais. Ele já sobreviveu ao pior. E ele sabe quem segura as águas em Suas mãos.








